Como Negociar Preço de Carro com o Cliente: Piso e Script | Blog Dimus
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Como Negociar Preço de Carro com o Cliente: Piso e Script

Como Negociar Preço de Carro com o Cliente: Piso e Script

Como negociar preço de carro com cliente na revenda: script de falas, piso calculado por carro e cada concessão trocada por um compromisso.

Como negociar o preço de um carro com o cliente sem entregar margem?

Defina, antes da conversa e por carro, três números: o preço anunciado, o preço-alvo e o piso. Depois, ceda apenas em troca de um compromisso do cliente, como visita confirmada, sinal ou fechamento no dia, e registre cada proposta com o motivo do resultado. A negociação parte de uma conta, e não de intuição.

Sem conflito de interesse: A Dimus não vende portal nem CRM. Nosso negócio é consultoria.

Se você é dono e não cuida do comercial no dia a dia: encaminhe com um bilhete: “Define o piso e a alçada de cada carro do estoque.” O restante do texto mostra como.

Por que a negociação começa antes de o cliente chegar

Quando o cliente diz “faz por quanto?”, na nossa observação, o vendedor costuma responder com o que sente, não com o que a loja pode. O resultado é um desconto que ninguém planejou: às vezes pequeno demais para fechar, às vezes grande demais para a margem. Na nossa observação, a causa raramente é falta de lábia. É falta de uma regra definida pelo dono, carro a carro, antes de o carro ir para a vitrine.

Este artigo trata dessa regra. A defesa de valor quando o concorrente anuncia mais barato já está no artigo sobre por que preço baixo não vende mais carro, e o banco de objeções do vendedor está no manual do vendedor de carros usados. Aqui o foco é o que vem antes e depois da fala: o piso calculado, a troca de concessão por compromisso e o registro.

Os três números de cada carro

Para cada carro, a loja precisa de três preços escritos. O primeiro é o anunciado. O segundo é o alvo, o valor em que a loja fica satisfeita em fechar. O terceiro é o piso, abaixo do qual não há negócio sem contrapartida.

Número O que é Quem pode fechar nesse valor
Preço anunciado O valor de vitrine e de portal Ponto de partida da conversa
Preço-alvo O valor em que a loja fica satisfeita com o negócio O vendedor, dentro da alçada combinada
Piso O custo total do carro mais a margem mínima O gerente, e só com um compromisso do cliente
Abaixo do piso Margem mínima comprometida O dono, em caso excepcional e com contrapartida clara
Preço anunciado, alvo, piso e o que fica abaixo do piso: quem decide em cada nível

Em loja pequena, o dono pode acumular as funções de vendedor, gerente e dono. Nesse caso, o que importa é ter o piso escrito antes da conversa, para decidir com a conta na mão.

Como calcular o piso

O piso sai de uma soma. Pegue o custo total do carro e some a margem mínima que a loja decidiu aceitar. O custo total reúne a compra, a preparação (reparos, higienização, documentação), o custo de pátio até aquele momento e os custos da venda, como a comissão. Se você ainda não tem esse custo organizado, o artigo sobre a margem de lucro real na revenda mostra quais itens entram na conta, e o artigo sobre o custo do carro parado ajuda a estimar o custo do pátio.

O custo de pátio cresce com os dias, então o piso de um carro parado há muito tempo pode ser diferente do piso de um carro recém-chegado. Vale recalcular de tempos em tempos, de preferência quando o carro muda de faixa de tempo no estoque.

Exemplo ilustrativo, com valores inventados só para mostrar a conta: compra de R$ 40.000, preparação de R$ 1.500, pátio até agora de R$ 900 e comissão e custos de venda de R$ 1.600 somam um custo total de R$ 44.000. Com uma margem mínima de R$ 3.000, o piso é R$ 47.000. Se o alvo for R$ 48.500 e o anunciado R$ 49.900, o vendedor sabe de antemão que pode negociar entre R$ 49.900 e R$ 48.500 sozinho, pedindo ao menos a visita confirmada em troca, e que abaixo de R$ 47.000 não há conversa sem o dono.

A regra: toda concessão em troca de um compromisso

O erro mais caro, na nossa experiência, é o desconto solto: o vendedor cede para “ver se fecha” e não recebe nada em troca. A regra para evitar isso é simples. Cada concessão da loja deve ser trocada por algo que o cliente se compromete a fazer, e o compromisso deve ser concreto o bastante para ser verificado.

A loja concede O cliente se compromete a Por que ajuda
Aproximar o preço do alvo Confirmar a visita ou o test drive em data marcada Move a conversa para a etapa presencial
Chegar ao piso Fechar no dia ou deixar um sinal Troca margem por certeza de venda
Incluir um item de preparação ou brinde Aceitar uma proposta por escrito Registra a condição e reduz o vai e volta
Estender um prazo de reserva Confirmar a visita ou a aprovação do financiamento Evita segurar o carro sem andamento
Concessão da loja e o compromisso que pode ser pedido em troca

A troca vale nos dois sentidos: se o cliente não cumprir o compromisso, a concessão também deixa de valer, e isso precisa estar claro na conversa. Na nossa experiência, dito com educação, isso costuma ser aceito como regra da casa, e não como desconfiança.

Proposta real ou sondagem? Quatro perguntas de triagem

Nem toda proposta é um convite a negociar. Na nossa observação, alguns clientes só estão medindo o mercado, e outros fazem propostas muito abaixo da realidade. Quatro perguntas ajudam a separar o cliente que quer comprar do que está sondando:

  • Com o que você está comparando? A resposta mostra a referência do cliente: outro anúncio, a tabela FIPE, outra loja.
  • Como você pretende pagar? À vista, com entrada e financiamento, com carro na troca. A forma de pagamento muda o que a loja pode ceder.
  • Em quanto tempo você quer decidir? Na nossa experiência, quem tem prazo curto tende a negociar diferente de quem está só pesquisando.
  • Mais alguém decide com você? Evita negociar com quem não fecha sozinho.

Essas perguntas não substituem a avaliação do vendedor, mas organizam a conversa e rendem informação útil para o registro.

Quatro falas prontas (script de negociação)

O script abaixo é técnica comercial sugerida, para adaptar ao seu jeito. Não promete resultado, e funciona melhor quando o vendedor sabe de antemão o alvo e o piso do carro.

“Está caro.” “Entendo. Com o que você está comparando? Quero ver se estamos falando do mesmo carro, com a mesma procedência e a mesma documentação.”

Proposta abaixo do piso. “Nesse valor eu não consigo, e prefiro ser direto. Se você fechar hoje com sinal, levo a sua proposta ao gerente para ver até onde conseguimos chegar. Isso funciona para você?”

“Vi mais barato.” “Vale comparar com cuidado: o carro, o histórico, a garantia e a documentação são os mesmos? Se for o mesmo carro, me mostra o anúncio que eu analiso com você.”

“Vou pensar.” “Claro. Posso deixar essa condição por escrito até [data]? Se você confirmar a visita para [dia], seguro o carro até lá.”

Quando a resposta é não

Se a proposta está abaixo do piso e o cliente não oferece contrapartida, o caminho é dizer não com educação e deixar a porta aberta. Uma frase como “nesse valor não consigo, mas se mudar o cenário, me chame” preserva o contato sem entregar margem. Registre a proposta e o motivo, porque um carro que segue sem sair pode justificar rever o preço de forma planejada, e não em uma negociação isolada. O custo de segurar o carro entra nessa decisão, como mostramos no artigo sobre o carro parado.

O que evitar: pressão e omissão

Negociar bem não é pressionar nem omitir. Evite criar urgência que não existe, como dizer que há outro interessado quando não há. Evite esconder um defeito ou um histórico conhecido do carro para sustentar o preço. Além de prejudicar a relação com o cliente, essa prática pode gerar problema de consumidor. Use prazos e condições como “fechar hoje” apenas quando forem reais para a loja, e prometa segurar o carro só se for cumprir. Se o carro tem laudo ou apontamentos, informe de forma clara, como descrevemos no artigo sobre o laudo cautelar na revenda. Em caso de dúvida sobre o que a loja deve informar, confirme com seu assessor jurídico.

O registro mínimo: três campos

Para a negociação virar aprendizado, anote três campos na planilha de leads: o valor proposto pelo cliente, o valor da contraproposta da loja e o motivo do fechamento ou da perda, incluindo o compromisso que o cliente assumiu. Se você ainda não tem essa planilha, o modelo de controle de leads em planilha traz o formato. Com mais de uma loja, use a mesma planilha e os mesmos três campos nas duas.

Depois de algumas vendas, olhe a diferença, em reais, entre o preço anunciado do carro e a contraproposta que fechou, e quais concessões vieram acompanhadas de compromisso. Use os seus números, sem comparar com média de mercado que você não consegue verificar. O objetivo é ver onde a loja cede sem receber nada em troca.

Um exemplo de como uma negociação pode ficar

Exemplo ilustrativo: numa revenda hipotética, o cliente pede o carro do exemplo anterior por R$ 45.000. O vendedor pergunta com o que ele compara e como pretende pagar, e descobre que há entrada e financiamento. Em vez de ceder, responde que nesse valor não consegue e pergunta se o cliente fecha hoje. Ao ouvir que sim, o vendedor leva a proposta ao gerente, que autoriza R$ 47.000 com um sinal e documentação encaminhada. O negócio fecha no piso, com um compromisso cumprido, e a planilha registra proposta, contraproposta e motivo. O exemplo mostra a lógica, não uma estatística de mercado.

O que fazer amanhã de manhã

Escolha três carros do estoque, calcule o custo total de cada um e defina, por escrito, o alvo e o piso. Entregue os três valores ao vendedor e combine a regra: a loja só cede quando recebe um compromisso em troca. Esse exercício pequeno já mostra onde o seu estoque tem margem para negociar e onde não tem.

Se quem decide o processo de vendas da revenda não é você, encaminhe este artigo para quem cuida disso no dia a dia. A tabela dos três números funciona como roteiro pronto para essa conversa.

Perguntas frequentes

O que é o piso de negociação de um carro?

Piso = custo total do carro + margem mínima que a loja decidiu aceitar. O custo total reúne a compra, a preparação, o custo de pátio até o momento e os custos da venda. É o menor preço que o gerente pode aceitar, e chegar a ele pede um compromisso do cliente em troca. Definir o piso antes da conversa faz a negociação partir de um número calculado, e não de intuição.

Quem deve definir até onde o vendedor pode ceder?

Na nossa experiência, o dono ou o gerente, por carro, antes de o carro ir para a vitrine. Uma divisão simples é: o vendedor negocia até o preço-alvo, o gerente pode chegar ao piso em troca de um compromisso do cliente, e qualquer coisa abaixo do piso fica com o dono. Ajuste os níveis ao tamanho e à rotina da sua loja.

Como responder quando o cliente diz que o carro está caro?

Na nossa experiência, uma sequência que costuma ajudar é reconhecer a objeção, perguntar com o que o cliente está comparando e só então falar de valor, sem baixar o preço de imediato. Um exemplo de abertura é: "Entendo. Com o que você está comparando?". Se a conversa chegar a uma concessão, peça algo em troca, como visita confirmada, proposta por escrito ou fechamento no dia. É técnica sugerida, e não promete resultado.

Vale dar desconto para fechar no mesmo dia?

Sim, quando o desconto está dentro da alçada e o cliente se compromete com algo concreto, como um sinal ou a documentação já encaminhada. O risco é ceder desconto por uma promessa que não se cumpre. Por isso a concessão deve vir depois do compromisso, ou ser condicionada a ele de forma clara.

Como registrar as propostas sem sistema?

Com poucos campos na mesma planilha de leads: valor proposto, valor da contraproposta e motivo da perda ou do fechamento. Depois de algumas vendas, você enxerga quais concessões compraram compromisso e quais foram desconto solto. Sem esse registro, a negociação continua dependendo da memória do vendedor.

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